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Exportação, crédito e ajuste de área: os desafios do novo diretor comercial do IRGA

  • Foto do escritor: IGOR VIEIRA
    IGOR VIEIRA
  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

A aposta do IRGA em um diretor comercial oriundo da lavoura, com trânsito entre produtores, entidades e mercado, ocorre justamente no momento mais delicado da orizicultura gaúcha nos últimos anos.


Com preços abaixo do custo de produção, crédito restrito, estoques elevados e um cenário internacional instável, a autarquia tenta reforçar sua conexão com o setor produtivo ao nomear o engenheiro de produção e produtor rural Juandres Hörbe Antunes para comandar a diretoria comercial da instituição.


Aos 33 anos, sócio do Grupo Moraes e produtor de arroz, soja e pecuária em Santa Vitória do Palmar, São Lourenço do Sul e Jaguarão, Hörbe chega ao cargo trazendo na bagagem experiência acumulada dentro da Federarroz, onde atuou em áreas estratégicas ligadas à exportação, comercialização, política agrícola e armazenagem.


Em entrevista concedida ao Mídia Campo, o novo diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz detalhou sua visão sobre a crise do setor, os desafios imediatos da autarquia e os caminhos que considera prioritários para tentar recuperar a sustentabilidade econômica da atividade.

 

 

“Vivemos uma das crises mais difíceis da história recente”

Questionado sobre o diagnóstico atual da cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul, Hörbe foi direto ao afirmar que o setor atravessa uma combinação rara e perigosa de fatores negativos.


Segundo ele, os preços vêm se deteriorando desde a colheita passada, enquanto os custos seguem pressionados principalmente pelo diesel e pelos fertilizantes. Além disso, o acesso ao crédito tornou-se mais difícil justamente no momento em que o produtor mais precisa de capital para atravessar o ciclo.

 


Hoje o produtor enfrenta uma equação muito difícil: custos altos, preços pressionados e restrição crescente de crédito”, afirmou.

 

 

Para o novo diretor, o momento exige cautela, preservação de caixa e decisões técnicas, já que o setor enfrenta simultaneamente uma crise estrutural e outra conjuntural.

 

Nova diretoria comercial terá perfil mais estratégico


Ao responder sobre o novo papel da diretoria comercial dentro do IRGA, Hörbe indicou que a proposta da autarquia é ampliar sua atuação para além da pesquisa tradicional.


Segundo ele, a missão da diretoria será aproximar informação de mercado do produtor, trabalhar inteligência comercial e buscar novos mercados consumidores.

 

“O foco deve estar cada vez mais na disseminação de informação de qualidade, na busca de novos mercados e na construção de uma política comercial mais próxima do produtor”, destacou.

Ele também revelou que pretende percorrer os principais Núcleos de Assistência Técnica e Extensão Rural (NATEs) do Estado levando análises de mercado e informações estratégicas que auxiliem os produtores na tomada de decisão.

 

Exportação aparece como principal ferramenta de ajuste

A exportação foi um dos temas centrais da entrevista e aparece, hoje, como uma das principais apostas para aliviar a pressão sobre o mercado interno.


Com base em dados da Conab e do Conmasur, Hörbe estima um potencial de exportação extrabloco na faixa de 3,6 milhões de toneladas. Ainda assim, alerta que o volume atual de estoques segue sendo o principal gargalo do setor.


Segundo ele, o Mercosul deve produzir cerca de 15,4 milhões de toneladas, com estoques iniciais próximos de 2,7 milhões. Somando oferta e demanda regional, ainda restaria um excedente significativo mesmo com forte ritmo exportador.

 

Mesmo exportando cerca de 3,6 milhões de toneladas, o estoque final praticamente não se altera”, explicou.

 

Na avaliação do diretor, isso mostra que a safra 2025/26 ainda deverá ser desafiadora para toda a cadeia produtiva.

 

Redução de área volta ao radar

Outro ponto levantado pelo diretor comercial foi a possibilidade de nova redução de área plantada no Rio Grande do Sul.


Para Hörbe, esse movimento pode acabar sendo o principal mecanismo de ajuste de mercado no curto prazo, especialmente diante dos custos elevados e das margens negativas enfrentadas pelos produtores.

 

“Uma redução coordenada, ainda que em torno de 10%, teria impacto direto no equilíbrio entre oferta e demanda e poderia contribuir para a recuperação de preços”, observou.

Ele acredita que o cenário de custos elevados para a próxima safra pode acelerar esse movimento tanto no Rio Grande do Sul quanto em outras regiões produtoras do Brasil.

 

“Empenho não vai faltar”

Mesmo reconhecendo que o período inicial de gestão será curto para implementar transformações profundas, Hörbe afirmou que pretende focar em entregas práticas e aproximação com o setor produtivo.

 

“Talvez não seja possível concluir todas as transformações em sete meses, mas certamente será possível construir entregas relevantes e iniciar ações importantes para o futuro da atividade”, declarou.

 


A chegada de um produtor rural ao comando da diretoria comercial do IRGA ocorre em um momento em que o setor necessita justamente de maior proximidade entre a autarquia e a realidade vivida dentro da porteira, movimento que já começou com a nomeação de Alexandre Velho - que além de produtor é um entusiasta da lavoura  arrozeira - à frente da autarquia.

 

Uma decisão que sinaliza aproximação com a lavoura

Ainda é cedo para medir os resultados da nova diretoria comercial do IRGA. O cenário da orizicultura segue extremamente delicado, e nenhum movimento isolado será capaz de resolver rapidamente problemas estruturais que se acumulam há anos.


No entanto, a escolha de Juandres Hörbe Antunes parece sinalizar uma decisão coerente da gestão liderada por Alexandre Azevedo Velho em um momento que exige conhecimento técnico, leitura de mercado e diálogo direto com quem está produzindo.



Embora o novo diretor ache que sua gestão será curta, devido ao término do governo Leite II ainda esse ano, qualquer político que venha a conduzir o estado e que tenha visão mesmo que mínima da lavoura arrozeira, vai reconhecer que Alexandre precisa de mais tempo para implementar mudanças efetivas que quer e que possam refletir ampla e positivamente na cadeia produtiva do arroz. Nessa perspectiva de continuidade, o diretor Juandres tem grandes chances de vir a reboque.


Ao optar por um nome com vivência prática na lavoura, experiência institucional e trânsito dentro das discussões comerciais da cadeia, o IRGA demonstra compreender que o produtor quer mais do que discursos: quer informação qualificada, presença e construção de caminhos viáveis para atravessar a crise, e tem entregado isso aos arrozeiros.


O momento exige prudência, mas também confiança no profissionalismo das equipes técnicas e na capacidade de articulação da autarquia.


A orizicultura gaúcha já enfrentou outras turbulências ao longo da história do IRGA e, mais uma vez, precisará de união, estratégia e responsabilidade para encontrar equilíbrio e recuperar competitividade.


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