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Federarroz vê avanço no Pepro, mas cobra ajuste fino na distribuição dos volumes

  • Foto do escritor: IGOR VIEIRA
    IGOR VIEIRA
  • há 23 horas
  • 3 min de leitura

O leilão de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) para o arroz, realizado nesta terça-feira (5) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), trouxe um alívio ao setor orizícola em um momento de mercado travado. Na avaliação da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o resultado foi positivo — ainda que com pontos claros de melhoria para os próximos editais.

Ao todo, foram comercializadas 103,405 mil toneladas, dentro de uma oferta de 350,785 mil toneladas. Em termos práticos, o mecanismo cumpriu seu papel inicial: destravar negócios e dar liquidez à produção.


Fronteira Oeste puxa a fila e confirma demanda reprimida

A principal demanda se concentrou na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, que negociou integralmente o volume disponibilizado: 57,505 mil toneladas. O dado reforça o que já vinha sendo percebido no campo — uma forte necessidade de escoamento naquela região que é mais distante do porto de Rio Grande.

Enquanto isso, outras regiões apresentaram desempenho mais moderado. O lote que englobava Campanha, Região Central e Planície Costeira Externa somou 20,9 mil toneladas comercializadas, abaixo do volume ofertado. Já Santa Catarina registrou a venda de 25 mil toneladas.

A leitura é clara: quanto mais longe do Porto de Rio Grande e de vetores de escoamento de produção, maior a efetividade da medida, devido aos custos de transporte.

Esse descompasso indica que o problema não está no instrumento em si, mas na forma como os volumes são distribuídos.

A avaliação da Federarroz é direta: há necessidade de um ajuste mais fino na alocação regional. Em outras palavras, direcionar melhor os recursos para onde a demanda realmente existe.

 

Pepro volta a cumprir seu papel em momento crítico


Denis Dias Nunes - Presidente da Federarroz
Denis Dias Nunes - Presidente da Federarroz

Para o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, o leilão cumpriu uma função essencial ao reativar o mercado. Em suas palavras, a operação foi “muito boa”, especialmente por permitir a venda de mais de 100 mil toneladas em um cenário de baixa movimentação.

 

 


Por que a região Sul e a Planície Costeira Interna ficaram de fora do PEPRO?


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E OUÇA A RESPOSTA DO DIRETOR DE MERCADO INTERNACIONAL E MERCOSUL DA FEDERARROZ, JOSÉ CARLOS GROSS.

 

 



Na prática, o Pepro atua como uma ponte entre o preço de mercado e o preço mínimo estabelecido pela Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Quando essa diferença aperta, o mecanismo entra em cena para garantir competitividade ao produtor na comercialização.

E foi exatamente isso que ocorreu: o leilão ajudou a tirar o mercado da inércia. Em momentos assim, “água parada não move moinho” — e o Pepro cumpriu o papel de fazer a roda girar novamente.


Expectativa por novo edital e redistribuição de volumes

Diante desse cenário, a entidade defende a publicação de um novo edital que permita o remanejamento dos volumes não utilizados. A ideia é simples: transferir parte da oferta excedente de regiões com baixa demanda para aquelas onde o interesse foi maior.

A Fronteira Oeste surge, novamente, como principal candidata a receber esse reforço. Além disso, há expectativa de participação mais ativa de regiões como a Zona Sul e a Planície Costeira Interna nos próximos leilões, conforme o comportamento de mercado evolua.


Pepro: ferramenta validada, mas que exige calibragem constante

A ferramenta mostrou eficiência ao estimular a comercialização e aliviar a pressão sobre o produtor.

No entanto, também ficou evidente que sua efetividade depende de ajustes operacionais contínuos. Afinal, o campo não é homogêneo — e políticas públicas que ignoram essas diferenças tendem a perder eficiência.


Entre o excesso e a falta: o desafio de acertar a medida

O leilão desta terça-feira deixa uma lição clara para o setor: o Pepro funciona, mas precisa ser calibrado com precisão cirúrgica. Se, por um lado, houve regiões com sobra de oferta, por outro, áreas produtivas mostraram apetite suficiente para absorver volumes maiores.

O desafio agora é evitar que recursos fiquem “parados na prateleira” enquanto há demanda no campo. Em um cenário de margens apertadas e mercado sensível, acertar essa distribuição não é apenas uma questão técnica — é estratégica.

No fim das contas, o sucesso do próximo edital pode depender menos do volume total ofertado e mais de onde, exatamente, esse volume vai chegar.


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