ACORDO MERCOSUL/UNIÃO EUROPEIA: O QUE TU PRECISA SABER!
- IGOR VIEIRA

- 12 de jan.
- 3 min de leitura

Acordo UE–Mercosul dá mais um passo, mas ainda não cruzou a linha de chegada
Agora que a poeira deu uma baixada, uma análise mais acurada do acordo Mercosul/União Europeia se faz necessária para o direcionamento e tomada de decisão dos produtores da nossa região.
Na última sexta-feira (9), o bloco europeu aprovou de forma provisória o texto que trata da parceria comercial entre os dois lados do Atlântico.
Na prática, o acordo é um pacote de regras pensado para reduzir tarifas, abrir mercados e dar mais previsibilidade ao comércio.
Mas é bom deixar claro desde já: não é porque avançou que já está valendo!
O caminho ainda tem curvas, subidas e alguns pedágios políticos pela frente.
O que a União Europeia aprovou agora
Os embaixadores dos 27 países da UE votaram e atingiram a chamada maioria qualificada: pelo menos 15 países que juntos representam 65% da população do bloco.
Com isso, foi dada luz verde para que a Comissão Europeia, comandada por Ursula von der Leyen, possa assinar o acordo com o Mercosul.
Esse sinal político é relevante, mas não fecha a conta. Para o acordo entrar em vigor de fato, ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu e, no caso do texto completo, por processos formais de ratificação nos países.
Aprovação provisória e o tal acordo interino
O termo “provisório” não é detalhe técnico, é o ponto central da história. Ele significa apenas autorização para assinar, não que o acordo já esteja assinado nem funcionando.
Já o acordo interino é uma espécie de atalho comercial. Ele permite que algumas reduções tarifárias e regras de comércio comecem a valer antes que todo o pacote seja definitivamente ratificado.
É um jeito de tirar parte do acordo do papel enquanto o resto enfrenta a burocracia e a política.
Por que a Europa pisou no acelerador agora
O momento não é coincidência. A União Europeia enfrenta um mundo cada vez mais fechado, protecionista e imprevisível, especialmente depois de tarifas impostas pelos Estados Unidos e da dependência crescente da China.
Países como Alemanha e Espanha defendem o acordo como uma forma de diversificar parceiros comerciais e reduzir riscos.
Além disso, o bloco europeu estima cortar algo em torno de € 4 bilhões por ano em impostos sobre exportações para o Mercosul, o que ajuda a explicar a pressa.
A Europa fala em bloco, mas pensa em pedaços
Apesar do avanço, a UE está longe de falar a mesma língua.
A França lidera a resistência, com apoio pontual de países como Polônia e Irlanda.
O receio maior vem do campo europeu, que teme concorrência e pressiona governos com protestos, tratores nas ruas e muito barulho político.
Soma-se a isso a crítica de entidades ambientalistas, que levantam preocupações sobre clima e sustentabilidade — um discurso recorrente, que mistura convicções legítimas com interesses comerciais bem conhecidos.
Como o governo brasileiro reagiu
Carlos Fávaro (ministro da Agricultura) – Avaliou a aprovação provisória como um avanço relevante nas negociações, destacando que o acordo amplia oportunidades comerciais para o Brasil e relativizando o peso das salvaguardas incluídas no texto.
Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) – Disse que o governo trabalha com a expectativa de o acordo entrar em vigor ainda em 2026, ressaltando o fortalecimento do multilateralismo, do comércio internacional e do ambiente de investimentos.
O tamanho do mercado e a expectativa de negócios
Segundo a ApexBrasil, o acordo conecta o Brasil a um mercado que gira em torno de US$ 22 trilhões. A estimativa é de um potencial adicional de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras.
Os números impressionam, mas, como sempre, dependem de como as regras vão funcionar na prática e de quem, de fato, consegue atravessar as barreiras que continuam de pé. Lembre-se: será uma via de duas mãos!
Entidades do agro: entre aplausos e cautela
A Farsul chamou o acordo de ganho histórico, mas destacou o peso do protecionismo europeu, principalmente nas salvaguardas e nas barreiras ambientais e sanitárias. Também criticou a postura do governo brasileiro, que, na avaliação da entidade, teria aceitado medidas unilaterais para não perder o acordo.
Tá, mas e aí?
No fim das contas, o acordo UE–Mercosul avança mais pelo contexto global do que por consenso pleno.
Ele nasce menos como um pacto ideal e mais como uma resposta a um mundo fragmentado, onde cada bloco tenta proteger seus interesses sem fechar totalmente as portas.
Para o agro brasileiro, abre-se uma janela importante, mas com vidros grossos: há oportunidade, sim, mas também condicionantes, salvaguardas e exigências que não podem ser ignoradas.
O desafio agora deixa de ser político e passa a ser prático — transformar um acordo assinado em negócios reais, competitivos e sustentáveis, sem perder de vista que, no comércio internacional, quem não ocupa espaço acaba apenas assistindo ao jogo.









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