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Exportações do agro gaúcho recuam em 2025 sob efeito da estiagem e do cenário externo

  • Foto do escritor: IGOR VIEIRA
    IGOR VIEIRA
  • há 5 dias
  • 3 min de leitura


O Rio Grande do Sul encerrou 2025 com desempenho mais fraco nas exportações, especialmente no agronegócio. Dados divulgados pela Farsul mostram que a combinação entre estiagem severa, instabilidade de mercado e guerra comercial com os Estados Unidos pesou no bolso do produtor e da cadeia exportadora ao longo do ano.


Dezembro de 2025: menos valor e menos volume embarcado

Na comparação entre dezembro de 2025 e dezembro de 2024, o estado exportou US$ 1,44 bilhão, uma queda de 4,3% em valor.


Em volume, a retração foi ainda maior: 5,5%, com 2,19 milhões de toneladas, contra 2,3 milhões no mesmo mês do ano anterior.


O principal motivo dessa queda foi a redução da oferta de soja em grão, diretamente ligada à estiagem que castigou o estado ao longo do ano.


Agronegócio segue dominante nas exportações do estado

Mesmo com dificuldades, o agro continuou sendo o grande motor das exportações gaúchas:

  • 72% do valor exportado em dezembro veio do agronegócio (US$ 1,44 bilhão);

  • 89% do volume total exportado também foi do setor.

Isso mostra que, mesmo em ano ruim, o agro ainda sustenta a pauta exportadora do Rio Grande do Sul.


Resultado do ano: exportações menores que em 2024

No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, o estado exportou cerca de US$ 15 bilhões, valor 4,1% menor do que no mesmo período de 2024.


A estiagem teve impacto direto nesse resultado, especialmente nas culturas de grãos, com destaque negativo para a soja.


Soja: estiagem reduziu oferta e trouxe volatilidade

A soja foi o produto mais afetado em 2025. A quebra de safra reduziu a disponibilidade para exportação e trouxe forte volatilidade ao longo do ano, com impactos já visíveis a partir de maio.


Mesmo com um bom volume exportado para a China em agosto, o cenário geral não se recuperou, confirmando o peso da estiagem sobre o desempenho anual.


Carne: um ano de desafios e recuperação

A bovinocultura foi um dos pilares do agro gaúcho em 2025.

A China seguiu como principal destino, com avanços importantes também nas Filipinas e no Reino Unido.


Apesar do impacto das tarifas americanas, parte das perdas foi compensada por mercados como México e Canadá.


Em dezembro, o resultado foi expressivo: alta de 131% em valor e 108% em volume, na comparação com dezembro de 2024.


Arroz fecha o ano com saldo positivo

Mesmo com oscilações na oferta ao longo do ano, o arroz encerrou 2025 com desempenho positivo. O estado exportou 1,586 milhão de toneladas, vendendo mais do que importou.


Em dezembro, o volume exportado cresceu 89%, reforçando a boa posição do cereal na balança comercial gaúcha, resultado das campanhas de informação promovidas pelas entidades do setor que massivamente incentivaram a exportação como estratégia para lidar com o excesso de produto no mercado interno.


Guerra comercial com os EUA reduziu margens

Na comparação entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, as exportações para os Estados Unidos caíram 30% em valor, mesmo com aumento de 29% no volume.


Isso mostra claramente a queda nas margens, reflexo direto das tarifas impostas no contexto da guerra comercial.


Principais destinos das exportações gaúchas

Em dezembro, os principais destinos do agro gaúcho foram:

  • Ásia (sem Oriente Médio):US$ 763 milhões e 1,23 milhão de toneladas

  • Europa:US$ 286 milhões (sendo US$ 227 milhões para a União Europeia)

  • África:US$ 99 milhões


Entre os países, a liderança foi da China, com US$ 448 milhões e 31% de participação no valor exportado. Na sequência aparecem Bélgica, Países Baixos, Bangladesh, Vietnã e Filipinas.


E então? Como nos saímos?

O ano de 2025 mostrou que o agro gaúcho segue competitivo, mas cada vez mais exposto a riscos que vão além da porteira.


A estiagem reduziu a produção, a guerra comercial apertou margens e os choques sanitários testaram a resiliência das cadeias produtivas.


Diversificar mercados, investir em gestão de riscos e lidar com o endividamento não são mais opções, mas necessidades para que o Estado volte a navegar em águas mais tranquilas nos próximos anos.


Veja o relatório completo da FARSUL no link abaixo:

Fonte: Assessoria de Comunicação da FARSUL


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